sábado, 25 de maio de 2019

À um amigo

Permanece em mim uma época de incertezas. 
Um período em que se irrompeu um medo comum em minha mente. Aquele do tipo que chega quando vivemos o bastante para compreender de fato a realidade que nos cerca; aquele que chega quando acordamos de um longo período dormente. 

E de repente, depois da exaltação da juventude, 
você se depara com a dureza de uma súbita e razoável sapiência.
Com o quão enfadonhas e desinteressantes são as diárias casualidades, com o quão inevitável é a obrigação da própria subsistência.

Os dias que se seguem são banais e cheios de insignificância; são poeira num deserto de existência. As dores e os problemas comuns, vez ou outra, lhe trazem de volta aquela época dourada à consciência, onde a brisa tranquila soprava as doces risadas da nossa infância e o abraço materno assegurava-nos o conforto da inocência . 

Hoje trabalhamos, comemos, bebemos e dormimos. Vez ou outra ainda rimos, tentando disfarçar o cansaço e a indiferença que estes dias tão repetitivos nos trouxeram. Nos deixando migalhas de alegrias; nos deixando apenas nostalgias; nos deixando À espera daquele dias, que quando jovens, nossas mentes tanto quiseram.

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